Cannes estreia um pesadelo de Hollywood assinado por David Cronenberg, Map to the Stars, que marca o regresso do realizador canadiano dois anos depois de Cosmopolis, também estreado no festival francês. Em Maps to the Stars, David Cronenberg filma Hollywood por trás do sonho, representado por uma família tipicamente disfuncional.
Muito do seu cinema tem os Estados Unidos como centro da acção, mas esta foi a primeira vez que filmou no país. Inevitavelmente, diríamos, ou não fosse Map of the Stars sobre aquele que é, simbolicamente, o mais americano dos lugares: Hollywood, terra dos sonhos. David Cronenberg, é dele que falamos, filma, porém, o sonho depois do sonho: apodrecido, cruel, neurótico.
Map of the Stars leva o realizador canadiano de volta a Cannes. Cosmopolis, o seu penúltimo filme, fora incluído na Competição à Palma de Ouro em 2012. Dois anos depois Map of the Stars repete o percurso (e a presença de Robert Pattinson, desta vez ao lado de Julianne Moore, John Cusack ou Mia Wasikovska). Será estreado a 21 de Maio, uma semana após o início do festival.
Map of the Stars segue o percurso de uma típica família de Hollywood, tipicamente disfuncional, formada por Stafford Weiss (John Cusack), psicoterapeuta que enriqueceu a publicar livros de auto-ajuda, a sua mulher, Cristina (Olivia Williams), manager do filho Benjie (Evan Bird), que aos treze anos já anda a entrar e sair de clinicas de desintoxicação. A irmã de Benjie, Agatha, é, por sua vez, uma pirómana condenada e recentemente libertada de um sanatório. Junte-se um aspirante a actor que, por agora, conduz uma limousine (Robert Pattinson enquanto Jerome Fontana), e uma actriz, Havana Segrand (Julianne Moore), assombrada pelo fantasma da mãe, uma estrela no seu tempo – e, pelo caminho, ainda aparece Carrie Fisher, a eterna Princesa Leia de Guerra das Estrelas, interpretando-se a si própria. O resultado? Cronenberg a assinar “uma espécie de sátira a Hollywodd”, como declarou o próprio à Indiewire em Janeiro de 2013. “É muito típico da escrita do [argumentista] Bruce Wagner. É como que a essência do Bruce condensada. E, sendo satírico, é também muito poderoso emotivamente, perceptivo e divertido”.
CONTINUAR VENDO>>